O que mais chega à bancada em ferramentas elétricas de linha profissional,
com a causa provável de cada sintoma. Não encontrou o seu caso? Avaliamos qualquer defeito.
"Liga na tomada e não dá nem sinal, não gira, não faz barulho nenhum" (ferramenta com fio)
Primeiro descarte o óbvio antes de abrir: teste em outra tomada e sem extensão, porque extensão fina e longa e tomada com contato ruim respondem por uma boa fatia dos "não liga" que chegam na bancada. Descartado isso, a ordem real de probabilidade é: (1) escovas de carvão no fim do curso - o carvão desgastou até o rabicho e a mola não alcança mais o coletor; sinal clássico é que a máquina vinha falhando/perdendo força nas últimas semanas e um dia parou de vez, e ao abrir a tampinha lateral o carvão está com poucos milímetros ou soltando o fio; (2) rompimento do cabo/rabicho na saída da carcaça, o defeito mais subestimado de obra - o cabo quebra por fadiga logo depois do protetor porque o sujeito arrasta a máquina pelo fio; teste dobrando o cabo perto da entrada com a ferramenta ligada, se piscar de vida é isso, e confirme com continuidade puxando o cabo em vários ângulos; (3) gatilho/chave liga-desliga com contato queimado ou entupido de pó de concreto - muito comum em esmerilhadeira e martelete, o contato oxida/carboniza e não fecha mais; medindo continuidade nos terminais do gatilho com ele pressionado você fecha o diagnóstico em segundos; (4) estator (bobina de campo) aberto - mede infinito entre os terminais e normalmente vem acompanhado de histórico de esquentar muito ou de cheiro de queimado; (5) em máquinas com eletrônica de velocidade/soft start, placa aberta. Só depois disso pense em induzido, porque induzido queimado quase nunca dá "morte silenciosa": ele avisa antes com faísca e cheiro.
simples "O gatilho não regula mais a velocidade: ou não anda, ou vai direto no máximo"
O gatilho eletrônico é sensor + eletrônica de potência, e é peça de desgaste em ambiente empoeirado. (1) Pó de concreto/serragem entrando no corpo do gatilho e sujando a pista do potenciômetro - o sintoma é regulagem "picotada", falha em determinado ponto do curso; (2) transistor/triac do módulo eletrônico em curto, que é o defeito que faz a máquina dar partida direta no máximo assim que se aperta minimamente ou até assim que se liga na tomada (esse é perigoso, a máquina arranca na mão do operador - condene o gatilho na hora); (3) mola de retorno vencida ou trava de acionamento contínuo quebrada, deixando o gatilho preso; (4) em parafusadeira a bateria, o gatilho eletrônico com MOSFET danificado por uso constante em baixa rotação sob carga alta (o modo que mais aquece a eletrônica); (5) placa de controle brushless com defeito, mas isso normalmente vem com outros sintomas juntos (LED piscando, motor trepidando). Regra de bancada: gatilho não se conserta, se troca - reparar contato queimado de gatilho é economia que volta em 30 dias.
moderado "Toma choque na carcaça" ou "desarma o disjuntor DR toda vez que liga"
Fuga de corrente, e é o defeito que exige a máquina parada imediatamente. (1) Causa mais comum e mais banal: umidade e pó condutivo dentro do motor - máquina que dormiu na obra sob sereno, ou que trabalhou em corte com água/refrigeração; muitas vezes uma secagem em estufa resolve e a fuga some, o que confunde quem conclui "consertou sozinho"; (2) verniz do induzido ou do estator carbonizado por superaquecimento, fazendo fuga para o núcleo - aqui não tem secagem que resolva, o megômetro entrega; (3) cabo/rabicho com isolação rompida na entrada da carcaça encostando na estrutura metálica - checagem obrigatória antes de condenar motor; (4) fio interno prensado na hora da montagem, um clássico de máquina que já passou por assistência de esquina; (5) prensa-cabo quebrado deixando o cabo mexer e desencapar. Diferença prática que o cliente precisa entender: DR desarmando é o equipamento de segurança funcionando; carcaça energizada em máquina classe II (dupla isolação, aquela do símbolo do quadradinho dentro do quadradinho) significa que a dupla isolação já foi violada por dentro.
grave "O mandril travou com a broca dentro" ou "a broca escorrega, o mandril não aperta mais"
(1) Mandril de aperto rápido com as castanhas gastas/arredondadas por apertar sempre com a mão em brocas de haste lisa sob carga - a broca gira dentro do mandril, lixa a castanha, e a partir daí escorrega sempre; sintoma diagnóstico é a marca circular polida na haste da broca; (2) pó e ferrugem dentro do mecanismo travando o anel - comum em furadeira que trabalhou em concreto sem nunca ter sido soprada; (3) broca agarrou no furo e o torque apertou o mandril além do que a mão desaperta (isso é normal em impacto, não é defeito); (4) mandril de coroa (com chave) com a cremalheira espanada; (5) mandril soltando do eixo junto com a broca, porque o parafuso interno de rosca esquerda soltou - muita gente não sabe que esse parafuso é rosca invertida e espana tentando abrir para o lado errado. Em martelete SDS, o quadro equivalente é a broca não travar mais no encaixe: aí o problema é a esfera/mola de retenção do porta-ferramenta gasta, e não o mandril.
simples "O martelete/furadeira de impacto gira mas não bate mais" ou "bate fraco"
Separe primeiro os dois mecanismos, porque o cliente chama tudo de martelete. Em furadeira de impacto (impacto por catraca): (1) os dois discos dentados de impacto ficaram lisos por uso - é desgaste normal e o sintoma é a máquina fazer o barulho de catraca mas não avançar no concreto; (2) o cliente está com a chave no modo só furar - sempre confirme antes de abrir. Em martelete/rotomartelo (impacto pneumático por pistão): (1) anéis de vedação (o-rings) do pistão e do martelete ressecados/vencidos, que é o defeito mais comum - a câmara de ar perde compressão e a batida some ou fica fraca, quase sempre acompanhada de aquecimento na frente da máquina; (2) rolamento oscilante/mecanismo excêntrico gasto; (3) graxa errada ou seca no compartimento do mecanismo (graxa comum não aguenta, tem que ser a graxa específica de martelete); (4) mola de retorno do pistão quebrada; (5) trava do seletor de modo desgastada, ficando entre posições; (6) broca SDS com a haste amassada/desgastada absorvendo a batida - antes de condenar a máquina, teste com outra broca, e você resolve uma parte considerável desses casos no balcão. Padrão de uso: martelete de linha profissional que só perfura fura muito e dura; o que arrasa a máquina é uso prolongado em modo demolição por quem comprou um perfurador leve para quebrar parede - serviço de rompedor em máquina de furar.
moderado "A serra circular está puxando o corte, prende no meio e a máquina parece que vai parar"
A maioria desses chamados não é defeito elétrico. Ordem: (1) disco cego, empastado de resina ou com dentes de metal duro quebrados - o motor esforça, esquenta e o operador jura que "perdeu força"; olhe o disco antes de qualquer coisa; (2) disco errado para o material (número de dentes inadequado, disco de madeira em material errado); (3) cunha abridora/faca separadora ausente ou torta, e proteção inferior emperrada por serragem compactada - isso trava o corte e é o principal gerador de kickback, além de esconder um risco sério de acidente; (4) base empenada ou ajuste de esquadro/profundidade solto, fazendo o disco entrar torto e prender; (5) flanges sujos ou disco montado ao contrário; (6) só depois disso, causa elétrica: escova gasta ou rolamento travando, quando a perda de força existe mesmo em vazio. Diferencial simples: se a máquina em vazio atinge rotação normal e só sofre no corte, é acessório/ajuste; se em vazio já sobe devagar e ronca, é motor.
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