O que mais chega à bancada em compressores de linha doméstica,
com a causa provável de cada sintoma. Não encontrou o seu caso? Avaliamos qualquer defeito.
"Liga, gira, faz barulho, mas não enche" ou demora muito mais que antes pra chegar na pressão de corte
Primeiro descarte o que é de graça: registro de saída aberto, engate rápido vazando, mangueira furada, dreno mal fechado — encha com tudo fechado e cronometre. Se realmente perdeu rendimento, a ordem de probabilidade é: (1) jogo de válvulas do cabeçote carbonizado/quebrado — lâmina de descarga trincada ou placa de válvulas empenada por superaquecimento; sinal característico é ar pulsando de volta pelo filtro de admissão (põe a mão na frente do filtro: se sopra forte, é lâmina de admissão quebrada ou assento sujo) e cabeçote muito mais quente que o normal; (2) filtro de admissão saturado de pó de lixa/serragem/tinta — em marcenaria e funilaria isso sozinho derruba 20-30% da vazão e é a causa nº1 de "perdeu força" em máquina nova; (3) correia frouxa ou vitrificada patinando na polia — dá guincho na partida, pó preto na guarda e a bomba gira menos que o motor (linha profissional/industrial, acionamento por correia); (4) anel de segmento gasto ou cilindro riscado — aí o carter pressuriza, sai névoa pelo respiro/vareta, aparece óleo no filtro de admissão e o dreno solta emulsão leitosa; (5) junta do cabeçote soprando entre a câmara de admissão e a de descarga — chiado agudo constante, marca preta na junta quando abre; (6) em dois estágios, válvula do 1º estágio ruim ou resfriador intermediário entupido — o manômetro intermediário sobe demais ou nada. Regra de bancada: válvula ruim esquenta o cabeçote e sopra pelo filtro; anel gasto suja o óleo e joga óleo pra frente. Os dois derrubam vazão, mas os sintomas laterais são diferentes.
moderado Desarma o disjuntor ou o protetor térmico depois de alguns minutos rodando
(1) Regime de trabalho acima do ciclo de serviço — compressor doméstico/hobby foi feito pra trabalhar cerca de metade do tempo; enfiaram ele numa borracharia ou numa cabine de pintura e ele desarma por temperatura, não por defeito; é o diagnóstico mais frequente em máquina nova que "veio com problema"; (2) instalação subdimensionada — disjuntor de curva errada, cabo fino, rede compartilhada com solda/estufa; a máquina desarma o disjuntor da casa mas não o térmico do motor; (3) motor sujo/carcaça encardida e ventoinha entupida — não dissipa e o térmico corta certinho; (4) capacitor permanente ruim puxando corrente alta; (5) bomba dura por óleo errado, óleo velho ou nível baixo — puxa mais corrente pra girar; (6) trifásico com falta de fase ou relé térmico mal ajustado — trabalha em duas fases, esquenta e desarma, e o zumbido muda de timbre; (7) enrolamento em curto/isolação baixa: aí o megômetro fecha o diagnóstico e é rebobinar ou trocar. Primeiro descarte ambiente e instalação; depois teste elétrico do motor; deixe "motor queimado" por último, porque motor bom desarmando por causa de válvula de alívio ruim é coisa que a gente vê toda semana.
moderado Sai água na pistola/na chave de impacto, peça pintada fica com olho de peixe
Na maioria esmagadora não é defeito da máquina, é física do ar comprimido: comprimir aquece, resfriar condensa. (1) Reservatório sem drenagem — abra o dreno e veja o volume que sai; se sai um copo, a água está indo pra linha; (2) ausência de filtro/separador na saída ou elemento saturado; (3) tubulação errada — mangueira no chão, saída tirada por baixo do tanque em vez de por cima, sem pernas de coleta na rede; (4) compressor subdimensionado trabalhando quase direto, ar sai muito quente e condensa dentro da mangueira já fria; (5) purgador automático travado, em linha industrial; (6) uso em época chuvosa em Brasília sem rotina de dreno diária — de outubro a março o tanque pega água de verdade, na seca quase nada, e é justamente essa alternância que faz o operador esquecer. Para pintura, a solução técnica é filtro coalescente + secador ou pelo menos filtro refrigerado; sem isso, não existe conserto que resolva.
simples Cabeçote e tubo de descarga muito quentes, cheiro de tinta queimada/óleo cozido
Encoste a mão a 30 cm do cabeçote; se não dá pra chegar perto depois de 10 minutos, algo está errado. (1) Válvula de descarga vazando/lâmina quebrada — o ar comprimido volta pro cilindro e é recomprimido, gerando calor absurdo; é a causa nº1 de cabeçote fervendo; (2) trabalho contínuo acima do ciclo de serviço, ou máquina em canto sem ventilação, encostada na parede, dentro de armário; (3) aletas do cabeçote e volante-ventilador entupidos com pó/tinta/serragem — em marcenaria e funilaria isso é rotina; (4) volante montado ao contrário ou sem a guarda de ar direcionando o fluxo (acontece depois de conserto malfeito); (5) nível de óleo baixo ou óleo degradado, escuro e cheirando a queimado; (6) tubo de descarga carbonizado por dentro, restringindo a passagem — quando abre, sai crosta preta; troque, não tente limpar; (7) rotação acima da nominal por troca de polia errada. Calor não é sintoma isolado: ele é a origem da próxima falha (empena a placa de válvulas, queima a junta, vitrifica o anel). Máquina fervendo trabalhando é ordem de parada.
grave Vazamento contínuo de ar pelo pressostato depois que desliga (o "chiado que não para")
Esse é o mais mal-diagnosticado da praça: o pressostato quase nunca é o culpado. (1) Válvula de retenção do reservatório não vedando — o ar do tanque volta pelo cabeçote e sai pela válvula de alívio do pressostato; solução é limpar ou trocar a retenção, que é peça barata; (2) sede da retenção com carvão duro por óleo cozido — comum em máquina com óleo vencido; (3) anel de vedação/O-ring da própria válvula de alívio ressecado — aí sim é o pressostato, mas confirme fechando o registro e observando se o tanque perde pressão; (4) tubinho de alívio trincado. Diferencie: sopro curto ao desligar = normal e desejável (é o alívio pra próxima partida). Sopro contínuo = retenção. Sopro enquanto está enchendo = alívio do pressostato ruim ou diafragma furado.
simples Vazamento no próprio reservatório: bolha na pintura, ferrugem escorrendo, poro perto do dreno
(1) Corrosão interna por água nunca drenada — é a causa de 9 em cada 10 casos e ela vem de dentro pra fora, então o que você vê é a ponta do iceberg; (2) rosca do dreno/bujão corroída; (3) solda de fábrica com poro (raro, geralmente aparece cedo na vida do equipamento); (4) tanque que já foi "remendado" com solda por alguém — pior cenário, porque a solda mudou a estrutura sem qualquer ensaio. Reservatório é vaso de pressão: furou por corrosão, condena. Não se solda, não se aplica massa plástica, não se pinta por cima. A bomba, o motor e o pressostato podem ser aproveitados num tanque novo, e muitas vezes é isso que se faz na linha profissional; na doméstica, quase nunca fecha a conta.
grave