O diagnóstico correto é o que separa um reparo que dura de um que volta. Antes de qualquer orçamento, abrimos o equipamento e verificamos o que efetivamente falhou — e o que apenas foi consequência da falha principal.
O motor não desliga ao acionar a chave
Ordem: (1) fio de parada rompido, desconectado do módulo ou com terminal solto pela vibração; (2) chave liga/desliga com contato oxidado ou quebrado; (3) fio de massa mal aterrado na carcaça. Diferencie de autoignição ('dieselagem'): nesse caso o motor não apaga na hora, funciona irregular e vai morrendo, sinal de carvão incandescente na câmara e cabeça de pistão — aí o serviço é descarbonização, não é elétrica. É um defeito simples, porém de segurança: máquina que não desliga na chave não pode ser entregue nem alugada.
Armação, alças ou coxins de apoio trincados; máquina desconfortável e balançando nas costas
Ordem: (1) fadiga e ressecamento das alças e do cinto por sol e por produto químico; (2) trinca no ponto de fixação da armação por queda ou por apoiar o equipamento com o tanque cheio; (3) coxins de borracha endurecidos, transmitindo vibração e trincando o suporte; (4) parafusos de fixação soltos, folga que rasga o furo com o tempo; (5) reparos anteriores improvisados com solda ou arame. Não é defeito de motor, mas é o que mais gera reclamação de conforto e o que mais causa acidente com derramamento de calda. Em frota de locação, esse item entra na checagem de toda devolução.
Não pega de jeito nenhum, mesmo puxando a corda várias vezes, com combustível no tanque
Ordem real de probabilidade na bancada: (1) combustível velho/degradado — gasolina brasileira com etanol absorve água e vira verniz em 30-60 dias parada; sintoma de apoio é cheiro azedo e depósito amarelado no copo do carburador; (2) membrana e diafragma do carburador ressecados, o carburador para de bombear; (3) filtro de combustível (pescador) dentro do tanque empedrado; (4) vela encharcada ou oleada por mistura rica/afogamento; (5) ausência de faísca por chave liga-desliga em curto ou módulo de ignição; (6) compressão baixa por pistão/anel riscado. Raciocínio para separar: pingue 3 a 5 ml de mistura limpa direto na sede da vela e dê a partida. Se pega e morre em 2-3 segundos, o problema é ALIMENTAÇÃO (carburador/filtro/mangueira) e não ignição. Se não pega nem com combustível direto, cheque faísca com a vela aterrada na carcaça; se tem faísca forte e mesmo assim não pega, meça compressão (abaixo de ~6 bar é motor) e confira a chaveta do volante — chaveta cisalhada dá faísca fora de tempo e o motor 'coiceia' na corda. Não confunda com corda pesada por motor travado: com a vela removida o motor tem que girar leve.
Pega, mas só funciona com o afogador puxado ou meio puxado; ao abrir o afogador ou acelerar, morre
Se o motor melhora COM afogador, a mistura está POBRE — isso já elimina filtro de ar sujo, que causa exatamente o contrário (mistura rica). Ordem: (1) canal e gicle de baixa do carburador obstruídos por verniz — a limpeza tem que ser com ultrassom ou desmontagem completa, jato de spray por fora não resolve; (2) entrada de ar falsa pelo retentor do virabrequim, junta do cilindro ou isolador/coletor trincado — confirme com teste de pressão e vácuo no bloco, é o defeito mais mal diagnosticado da categoria; (3) mangueira de impulso (impulse) do carburador rachada ou solta, o carburador perde o pulso e não bombeia sob carga; (4) filtro de combustível parcialmente entupido — típico de motor que funciona em lenta e morre só quando acelera; (5) respiro do tanque de combustível obstruído, cria vácuo no tanque e o motor morre depois de 5-10 minutos (afrouxar a tampa e o motor voltar a funcionar confirma na hora).
Motor funciona normal e forte, mas não sai calda ou a vazão está muito fraca
Aqui o motor está inocente, o problema está no circuito de líquido, que só funciona porque o tanque é pressurizado por uma derivação de ar da turbina. Ordem: (1) mangueirinha de pressurização do tanque desconectada, furada, dobrada ou com a válvula/retentor entupido — é a primeira coisa a olhar, teste soltando a mangueirinha com o motor acelerado e sentindo se sai ar; (2) dosador/registro de vazão entupido por calda seca, principalmente pó molhável e adubo foliar; (3) filtro/peneira dentro do tanque colmatado por produto não filtrado; (4) vedação da tampa do tanque ressecada ou tampa mal rosqueada, o tanque não segura pressão — diferencia da causa 1 porque, apertando a tampa com a mão durante o teste, o fluxo volta; (5) cristalização do produto (sulfato de cobre, cúpricos) na curva de saída e no tubo interno; (6) montagem invertida da válvula de retenção depois de um reparo anterior mal feito — muito comum em equipamento que já passou por oficina não autorizada.
Perdeu força, o sopro está fraco e o alcance caiu pela metade
Ordem: (1) filtro de ar saturado — no Cerrado e em aplicação de pó ele fecha em poucas horas; sintoma de apoio é fumaça preta e vela preta e seca; (2) tela do silencioso e escapamento carbonizados por óleo 2T errado ou em excesso — o motor 'amarra' quando esquenta e a rotação máxima cai; medir contrapressão ou simplesmente retirar a tela e testar; (3) turbina com incrustação de calda seca ou pá lascada, o rotor perde eficiência e desbalanceia; (4) mangueira corrugada furada, rasgada na base ou abraçadeira solta — perde velocidade de ar sem perder rotação de motor (o motor 'grita' normal e mesmo assim não sopra, isso separa do problema de motor); (5) desgaste de anel e cilindro, compressão baixa — nesse caso a partida também piorou, há consumo alto e fumaça azulada; (6) carburador com a agulha de alta desregulada ou limitador fora de posição, mistura rica em alta. Diferencie sempre com tacômetro óptico: rotação nominal com sopro fraco = problema de ar/turbina; rotação abaixo do nominal = problema de motor.