Do sintoma à causa provável. É o mesmo raciocínio que usamos no
diagnóstico, na ordem em que descartamos as hipóteses.
Máquina passa e deixa filme ou rastro de água no piso — não seca
Na bancada, 8 de cada 10 casos morrem no próprio rodo, nesta ordem: (1) borracha do rodo com o fio de corte arredondado ou 'virada' pra dentro — passe a unha na aresta traseira; se ela não corta mais o filme d'água, é giro ou troca (a lâmina tem 4 arestas úteis, gire antes de comprar); (2) sujeira, fiapo ou fita de embalagem presa entre a lâmina e o piso — sintoma clássico é um rastro FINO e SEMPRE NO MESMO PONTO da faixa, enquanto o resto seca; (3) altura e inclinação do rodo desreguladas depois de bater em soleira ou rampa de doca — a lâmina traseira tem que fletir de forma uniforme em toda a extensão, não só nas pontas; (4) mangueira de sucção parcialmente obstruída — dá vácuo 'assobiando' mas sem volume de ar; (5) boia do tanque de recuperação acionada por espuma ou tanque cheio — aqui o rastro NÃO aparece desde o começo, ele começa depois de 5-15 min de trabalho, e esse detalhe já fecha o diagnóstico; (6) gaxeta da tampa do tanque ressecada, entrando ar falso. COMO DIFERENCIAR de turbina fraca: com a máquina ligada em sucção, tampe a boca do rodo com a palma da mão. Se a mão gruda com força e o motor 'engasga', a turbina está boa e o problema é geometria/borracha/entupimento no rodo. Se não gruda, o defeito está na linha de vácuo ou na turbina — pare de mexer no rodo.
Sucção fraca ou nenhuma sucção; turbina liga mas não puxa água
Ordem real de probabilidade: (1) VEDAÇÃO — gaxeta da tampa do tanque de recuperação, o'ring do bocal da mangueira e o flange de encaixe da turbina; borracha ressecada ou tampa mal travada derruba a depressão inteira e é o mais barato de checar; (2) boia/filtro de sucção do tanque travado por espuma seca ou lodo, principalmente em máquina que roda com detergente doméstico; (3) mangueira do rodo rachada por dentro, na dobra — visualmente parece perfeita porque a rachadura só abre sob vácuo; tampe uma ponta e sopre pela outra, ou passe a mão molhada procurando ponto de sucção de ar; (4) carvões da turbina no fim — sintoma que denuncia: puxa bem nos primeiros 2-3 minutos e vai morrendo conforme aquece, e sai pó preto pelo bocal de exaustão; (5) rotor/rolamento da turbina danificado por água que subiu do tanque quando a boia falhou — ruído metálico agudo e cheiro de verniz queimado, quase sempre é turbina perdida, não conserto; (6) tensão de bateria caindo sob carga e deixando a turbina abaixo do regime. Diferenciar turbina cansada de bateria fraca: meça a tensão do pacote DURANTE o trabalho, não parada. Se a tensão está firme e a sucção é fraca, é a turbina.
Autonomia despencou — a máquina que fazia o turno agora para em 40 minutos
(1) Rotina de carga errada é a causa número um, não a bateria: máquina que passa o fim de semana parcialmente descarregada sulfata a placa; pergunte SEMPRE se colocam pra carregar todo dia ao fim do uso, mesmo com uso curto; (2) falta de água destilada em bateria chumbo-ácido ventilada — placa exposta perde capacidade de forma permanente; nunca complete com água mineral ou de torneira, o cloro e os sais matam a placa; (3) carregador com curva errada para o tipo de bateria (carregador de chumbo ventilado em bateria de gel/AGM cozinha o eletrólito e vice-versa — gel mal carregado é o defeito clássico de máquina que teve bateria trocada 'no aperto' por fornecedor genérico); (4) uma célula morta puxando o pacote inteiro — meça bloco a bloco em repouso e sob carga; diferença acima de 0,3 V por bloco de 12 V condena o conjunto; (5) descarga profunda repetida por operador que ignora o alarme de bateria baixa; (6) em bateria de lítio, o BMS pode ter desbalanceado ou entrado em proteção — a máquina simplesmente 'apaga' sem aviso, sem descida gradual de força, o que é a assinatura de lítio em proteção e não de chumbo cansado. Diferenciar bateria velha de consumo alto: meça a corrente com alicate amperímetro em trabalho normal; rolamento travado ou escova com pressão excessiva pode dobrar o consumo e simular bateria ruim.
Escova ou rolo não gira, gira com força baixa ou desarma o disjuntor/térmico
(1) Material enrolado no eixo/flange — barbante, fitilho de caixa, arame de lacre e cabelo em ambiente hospitalar; puxa corrente alta e desarma o térmico em poucos minutos; sempre desmonte o disco e olhe o cubo antes de condenar motor; (2) carvões do motor de escova gastos ou emperrados no porta-escova — a máquina funciona intermitente, para e volta com pancada; (3) pressão de escova regulada alta demais ou disco/escova errado pro piso, forçando o motor; (4) rolamento do motor ou do redutor secando — o motor esquenta e o consumo sobe sem carga; gire o eixo com a mão desligado, tem que girar livre e sem folga radial; (5) microswitch ou relé/contator de acionamento da escova com contato queimado — teste medindo tensão na saída do relé, não na entrada; (6) placa eletrônica/módulo de potência com estágio de saída queimado — só condene depois de descartar tudo acima, porque é a peça cara. Diferenciar motor queimado de eletrônica: alimente o motor direto do pacote de baterias, fora da placa. Se ele gira firme, o problema é comando.
Não sai solução no piso, ou sai de um lado só / em jatos irregulares
(1) Filtro do tanque de solução entupido com resíduo de detergente e sujeira — é o primeiro item, e em máquina de condomínio quase sempre está cheio de areia; (2) canal de distribuição/barra de sprays incrustado por detergente concentrado que secou (crosta branca) — desmonte e deixe de molho em solução ácida branda, nunca fure a saída com arame de aço, você abre o furo e desregula a vazão; (3) válvula solenoide sem acionamento ou travada — teste ouvindo o 'clique' e medindo tensão na bobina com o gatilho acionado; bobina boa e sem clique significa êmbolo travado por calcário; (4) ar preso na linha depois do tanque ter rodado vazio; (5) ajuste de vazão fechado pelo operador anterior (acontece mais do que parece — sempre cheque antes de abrir a máquina); (6) mangueira dobrada ou trincada sob o chassi depois de manutenção mal fechada. Diferenciar solenoide de entupimento: solte a mangueira antes da barra e acione. Se jorra bem, o problema está da barra pra frente.
Máquina não anda / tração fraca ou só anda em um sentido
(1) Microswitch de presença — do banco na ride-on, do arco/alavanca na walk-behind; contato oxidado ou haste torta bloqueia a tração e simula defeito grave; é o primeiro teste e o mais barato; (2) potenciômetro do acelerador ou do manche desgastado — sintoma típico é tração que 'pula' ou funciona só num sentido, porque a pista do potenciômetro gastou no ponto de repouso; (3) carvões do motor de tração; (4) controlador/módulo de tração em modo de falha por sub-tensão — muitas vezes a máquina corta a tração ANTES de cortar escova e sucção, de propósito, pra preservar bateria; se a tração some junto com aviso de bateria, não é o motor; (5) freio eletromagnético não liberando (a máquina fica 'presa', empurrar manualmente exige força anormal); (6) redutor/correia com folga ou dente comido. Diferenciar controlador de motor: com a máquina segura e as rodas livres, meça tensão na saída do controlador ao acionar. Tensão presente e roda parada = motor/freio. Sem tensão = comando, chicote ou intertravamento.
Piso saindo riscado, opaco ou com marcas circulares depois da lavagem
(1) Disco/pad de agressividade errada para o piso — o erro campeão é pad preto ou verde em porcelanato, epóxi ou vinílico, que devia rodar vermelho ou branco; ordem prática do mais suave ao mais agressivo: branco, vermelho, verde, preto; (2) pad saturado de sujeira funcionando como lixa carregada de grão — pad tem que ser lavado e virado, não usado até desmanchar; (3) pressão de escova alta demais somada a velocidade baixa; (4) cerda da escova deformada ou com grão errado (escova de grit/abrasiva usada em piso liso); (5) sujeira dura presa no flange do disco — pedra, grampo, tampinha; (6) resíduo de detergente não enxaguado deixando película que reflete como 'opaco' e é confundido com risco. Diferenciar risco mecânico de película química: passe álcool isopropílico ou faça um enxágue só com água limpa numa faixa de teste — se o brilho volta, era película de detergente, e o problema é dosagem, não a máquina.
Vazamento de solução no chão com a máquina parada / poça embaixo do equipamento
(1) Tampa do dreno do tanque de solução ou de recuperação mal fechada / o'ring do dreno ressecado — sempre o primeiro suspeito; (2) mangueira solta ou abraçadeira frouxa após manutenção; (3) solenoide travada aberta por sujeira — a poça se forma exatamente sob a barra de sprays e some se você fechar o registro manual; (4) trinca no tanque plástico por impacto ou por transporte com tanque cheio (o peso da água em movimento trinca o berço do tanque) — a trinca costuma aparecer no canto inferior e só verte com o tanque acima da metade; (5) vedação do filtro/tampa de abastecimento. Diferenciar tanque trincado de mangueira: encha só até 1/3 e observe; se não verte com pouco volume e verte cheio, é trinca alta ou tampa; se verte sempre, é linha pressurizada/dreno.