Do sintoma à causa provável. É o mesmo raciocínio que usamos no
diagnóstico, na ordem em que descartamos as hipóteses.
"Liga normal, o motor ronca, mas não puxa nada" / "perdeu a força"
É o campeão absoluto de entrada na bancada e quase nunca é motor. Ordem de descarte: (1) FILTRO SATURADO — 6 em cada 10 casos. Pó de gesso, rejunte, cimento, cinza e serragem fina cegam o cartucho plissado ou o filtro de pano POR DENTRO; por fora ele parece só empoeirado, mas contra a luz não passa claridade nenhuma. Teste que confirma na hora: tira o filtro, liga 10 segundos com a mão na entrada — se a sucção volta violenta, é filtro. (2) TANQUE CHEIO OU BOIA LEVANTADA — o som muda: o motor fica agudo, acelerado, porque está girando sem carga de ar. (3) OBSTRUÇÃO na mangueira, tubo ou bocal: estopa, pano de chão, saco plástico, grumo de massa corrida, meia. Diferencia-se do filtro pelo teste da boca do tanque: solta a mangueira e testa a sucção direto na entrada do tanque — se ali puxa forte, o problema está da mangueira pra frente. (4) VEDAÇÃO: guarnição da tampa ressecada, achatada ou fora do canal, borda do tanque amassada (clássico de obra e de locadora), trava de fecho arrebentada. O motor puxa ar falso pela junta e a depressão despenca sem nenhum sintoma sonoro. (5) FURO/TRINCA NA MANGUEIRA, quase sempre na saída do punho ou no primeiro palmo junto ao engate, que são os pontos de maior flexão. (6) ESCOVA DE CARVÃO NO FIM — mas aí o motor NÃO está "normal": gira mais devagar, esquenta, faísca pelo respiro. Se o cliente diz que o barulho está igual ao de antes, esqueça carvão. (7) Só por último: turbina com pás lascadas ou folga de rolamento, e isso normalmente vem depois de "sugou um parafuso/caco de vidro".
"Não liga, não faz nem barulho" / "morreu do nada"
Ordem de descarte: (1) ALIMENTAÇÃO — antes de abrir qualquer coisa, ligar direto na tomada da parede, sem extensão e sem filtro de linha. Muito equipamento chega "queimado" e é disjuntor da obra ou extensão com fio rompido. (2) CABO ROMPIDO INTERNAMENTE, na saída da carcaça ou dentro do plugue — o pessoal desliga puxando pelo fio. A isolação fica perfeita por fora e o condutor está partido por dentro; teste ligando o aparelho e mexendo o cabo devagar perto do prensa-cabo. (3) INTERRUPTOR — em pó e água a chave é peça de desgaste: umidade oxida o contato e pó fino entra na basculante. Continuidade dá aberto com a chave em ON. É a peça mais barata dessa lista e resolve um monte de "não liga". (4) ESCOVA DE CARVÃO CONSUMIDA ATÉ A MOLA — motor mudo, sem estalo nenhum; puxa a tampinha e o carvão está no talo, com a trança encostando no coletor. Nesse caso o coletor quase sempre está ranhurado e só trocar o carvão dura pouco: tem que facear. (5) PROTETOR TÉRMICO ABERTO (linhas profissional/industrial): se o cliente diz que parou quente e voltou depois de 30 minutos, é térmico e a causa real está no entupimento/ciclo de trabalho. (6) ENROLAMENTO ABERTO — resistência infinita entre as escovas; quase sempre veio acompanhado de cheiro. (7) Nos modelos com tomada sincronizada, módulo/relé travado impedindo o acionamento.
"Cheiro de queimado" / "soltou fumacinha pelas grades"
Ordem de probabilidade: (1) ESCOVA DE CARVÃO NO FIM — a trança de cobre passa a riscar o coletor, faísca forte e cheiro característico de verniz queimado. Se o cliente trouxe cedo, é o melhor cenário: troca o par, faceia e limpa o coletor, sopra o pó de carvão e o motor volta inteiro. (2) MOTOR RODANDO SEM AR — filtro cego, mangueira entupida, tanque cheio. Como no motor de fluxo direto o ar aspirado É a refrigeração, 20 a 30 minutos assim já cozinha o induzido. Abrindo, o verniz das espiras está cor de caramelo/marrom e o cheiro fica impregnado. (3) ENTRADA DE ÁGUA — cheiro diferente, mais ácido/mofado, acompanhado de oxidação esverdeada nas lâminas do coletor e ferrugem no eixo. (4) ESPIRA EM CURTO no induzido ou no campo: cheira mesmo com o filtro limpo, perde força conforme aquece e às vezes derruba o disjuntor. Diagnóstico definitivo é bancada, não é conversa de balcão. (5) ROLAMENTO TRAVANDO — o cheiro é de graxa queimada, não de verniz, e vem sempre precedido de chiado metálico que o cliente ignorou por semanas. Regra de bancada: cheiro de queimado com equipamento ainda funcionando = trazer imediatamente; cada hora de uso a mais transforma um serviço de carvão em uma troca de motor.
"Ele joga a poeira de volta na sala" / "sai fumacinha branca pela saída de ar"
Ordem: (1) RODANDO SEM O FILTRO DE PANO/CARTUCHO — o cliente tirou pra aspirar água e não recolocou. Óbvio, mas é a maioria. (2) FILTRO RASGADO, geralmente na costura do elástico, no pé da pluma ou furado por brasa/farpa de madeira; olhar contra a luz encontra o furo em 10 segundos. (3) FILTRO MAL ASSENTADO: o anel de borracha não entrou no canal do cesto, a cinta ficou torcida, ou o filtro está numa medida paralela que sobra 3 mm — o ar acha o caminho mais fácil e passa reto. (4) FILTRO LAVADO DEMAIS ou lavado com escova/água quente: a malha abre e ele perde retenção. Filtro de pano depois de umas dez lavagens não segura mais pó de gesso, mesmo parecendo bom. (5) FILTRO ÚMIDO usado a seco — o pó vira barro e passa pela dobra. (6) SACO DESCARTÁVEL rompido ou mal encaixado no flange. (7) PÓ FINO ALÉM DA CLASSE DO FILTRO: gesso, rejunte, toner, cimento e cinza atravessam qualquer filtro comum. Não é defeito, é aplicação errada — precisa saco + cartucho de classe adequada ou HEPA. (8) Trinca na carcaça superior ou na saída de sopro, que passa despercebida até se olhar contra a luz.
"Entrou água no motor" / "o aspirador bebeu" / "cuspiu água pela grade"
Ordem real: (1) ESPUMA — é disparado a causa nº1 em lava-jato, oficina e limpeza com detergente. Shampoo automotivo, sabão em pó e desengraxante geram espuma que sobe pela gaiola SEM levantar a boia (a boia lê densidade de líquido, não de espuma) e entra direto na turbina. Sintoma típico: o motor engasga, o som fica abafado e sai borrifo pela saída de ar. (2) BOIA TRAVADA — gaiola/cesto incrustado de sujeira seca ou haste emperrada. Teste de 5 segundos: tanque vazio, chacoalhar e ouvir a esfera correndo solta; se não corre, está presa. (3) ASPIRAR LÍQUIDO COM O FILTRO DE PANO MONTADO: o pano encharca, gruda na gaiola, impede a boia de subir e ainda funciona como pavio levando água pra cima. (4) EQUIPAMENTO INCLINADO ou puxado em rampa/degrau com o tanque cheio — a onda passa por cima da boia. (5) BOIA RACHADA cheia de água por dentro: perdeu flutuação, não sobe mais. (6) "Golpe de água": mangueira erguida acima do nível e baixada de uma vez, mandando uma coluna de líquido de uma vez só. Depois que molhou: NÃO ligar de novo pra "ver se funciona" — cada tentativa com o enrolamento úmido é uma chance de fuga e de queima definitiva.
"Está com um barulho estranho" / "chiando" / "rugindo" / "vibrando"
Ordem: (1) ROLAMENTO DO INDUZIDO seco — chia continuamente e piora conforme esquenta; secou a graxa por calor ou por ter trabalhado molhado. Confirma girando o eixo com a mão: raspa, tem folga radial ou faz "granulado". (2) TURBINA COM PÁ LASCADA: desbalanceia e produz zumbido grave com vibração que o cliente sente no cabo. Quase sempre precedido de "sugou um parafuso/prego/caco". (3) OBJETO SOLTO na câmara batendo — porca, pedra, pedaço de brita; o barulho é intermitente e muda de tom com a rotação. (4) ESCOVA BATENDO EM COLETOR RANHURADO — chiado ritmado e sincronizado com a rotação, geralmente junto com faísca visível pelo respiro. (5) MOTOR SEM CARGA: com a mangueira tampada o motor universal ACELERA e fica agudo — isso é característica do projeto, não defeito, mas o cliente confunde. (6) O que muitos juram ser motor e é mecânico: rodízio quebrado, tanque solto na base, alça vibrando, tubo mal encaixado. Sempre rodar o equipamento parado na bancada antes de condenar o motor.
"Perdeu rotação" / "oscila, fraqueja" / "faísca muito pelas grades, dá pra ver clarão"
Ordem: (1) ESCOVA DE CARVÃO desgastada ou GRIMPADA no porta-escova: o pó de carvão compacta na guia e a escova não acompanha a mola, perdendo contato intermitente. Dá exatamente a oscilação que o cliente descreve. (2) COLETOR sujo de pó de carvão, com sulcos ou com a MICA ALTA entre as lâminas (o cobre desgasta, o isolante não, e a escova passa a "pular"). Solução correta é facear no torno e rebaixar a mica — lixar por cima só empurra o problema. (3) ESPIRA EM CURTO ou lâmina do coletor solta no induzido: faísca em volta de TODO o coletor, o famoso anel de fogo, com perda de força progressiva ao aquecer. Induzido nesse estado não se recupera. (4) ESCOVA PARALELA de medida errada ou de composição mole: consome em semanas e come o coletor junto — é a economia mais cara do ramo. (5) SUBTENSÃO: extensão longa e fina, gerador mal regulado ou rede de obra caindo. O motor gira devagar, esquenta e faísca sem ter defeito nenhum — sempre medir a tensão na tomada antes de condenar o motor.
"Desarma o disjuntor" / "o DR cai quando liga" / "está dando choque na carcaça"
Separar DR de disjuntor é o primeiro raciocínio: DR = fuga de corrente; disjuntor = excesso de corrente. (1) UMIDADE DENTRO DO MOTOR — fuga pra carcaça, derruba DR na hora. Depois de secagem em estufa às vezes volta a funcionar, mas o verniz já está comprometido e a vida útil caiu; é paliativo honesto, não conserto. (2) CABO COM ISOLAÇÃO RASPADA — em obra o cabo passa embaixo de andaime, carrinho e porta de aço; a fuga aparece quando o cabo é movimentado. (3) ESPIRA EM CURTO no campo/induzido: puxa corrente muito acima do nominal e derruba o DISJUNTOR (não o DR), com aquecimento rápido. (4) TOMADA SINCRONIZADA com fiação derretida perto do soquete. (5) DISJUNTOR SUBDIMENSIONADO para a corrente de partida — problema clássico em equipamento de dois ou três motores ligado em circuito de tomada comum; nesse caso não há defeito no aspirador, o cliente precisa de circuito dedicado. (6) CARCAÇA METÁLICA (tanque inox) SEM ATERRAMENTO na tomada — dá o "formigamento" que o cliente chama de choque; muitas vezes é estático da mangueira, e não fuga elétrica.