Consertar este equipamento com peça original e diagnóstico correto normalmente custa uma fração de um equipamento novo. O que encarece o reparo é o tempo que se leva até trazê-lo: pequenos defeitos ignorados viram troca de conjunto.
A bateria não trava mais na ferramenta, entra torto ou cai sozinha durante o uso.
(1) Trava (latch) e mola quebradas por queda — o plástico da trava é o primeiro a partir; é peça e serviço rápido. (2) Trilho do pack ou da ferramenta gasto/alargado por anos de encaixe e desencaixe, muito comum em quem usa a mesma máquina há muito tempo e troca a bateria dezenas de vezes por dia. (3) Sujeira compactada no rasgo do trilho impedindo o assentamento total — parece folga, é entupimento. (4) Carcaça do pack trincada nos pilares de parafuso (queda de altura ou pack usado como martelo improvisado). (5) Uso de adaptador de outra marca, que quase sempre trabalha com folga. Isso não é defeito estético: bateria frouxa gera microarco no terminal em cada solavanco, e o arco derrete o terminal da ferramenta, que é um conserto bem mais caro que a trava.
A bateria está inchada/estufada, a carcaça abriu e ela esquenta muito na carga.
(1) Célula gasificando por falha interna, sobrecarga ou curto interno — o inchaço é o gás dentro do invólucro da célula e é irreversível. (2) Pack exposto a calor extremo (carro fechado, perto de solda, em cima de motor). (3) Água que entrou e corroeu internamente. (4) Carga em carregador genérico/adaptado sem controle de fim de carga — clássico do pack recarregado em "carregador universal" de camelô. Conduta de bancada: não recarrega mais, não fura, não prensa, não joga no lixo comum. Pack estufado que já não encaixa direito é condenado — não existe conserto de célula inchada, só troca de célula, e se estufou uma, as vizinhas trabalharam no mesmo ambiente e já estão comprometidas.
O carregador não acende nada quando ligo na tomada.
(1) Tensão errada — em Brasília a rede residencial e da maioria das obras é 220V, e carregador de 127V ligado direto em 220 queima o primário instantaneamente (cheiro típico de eletrônica queimada, fusível aberto, às vezes marca preta na placa). Sempre confirme a etiqueta antes de acusar defeito de fábrica. (2) Fusível de entrada aberto e varistor (MOV) estourado por surto — muito frequente no período de chuva e raio no DF, principalmente em obra sem proteção de surto. (3) Cabo/plugue rompido bem na saída da carcaça, por dobra: teste de continuidade resolve em um minuto. (4) Capacitores eletrolíticos secos ou estufados em carregador antigo — não acende, ou acende, apita/estala e desliga. (5) Trilha rompida por queda. Descartar sempre primeiro a tomada e o cabo: testar em outra tomada que você sabe que funciona evita 100% de orçamento inútil.
O carregador acende e parece funcionar, mas nenhuma bateria carrega — nem as que estão boas.
Regra de separação: se TODAS as baterias são recusadas, o problema está no carregador (se só uma é recusada, é o pack). Ordem: (1) Contatos-mola do berço arriados, tortos ou oxidados — perdem pressão e o carregador não fecha o circuito nem lê o termistor. (2) Circuito de leitura do NTC com resistor/trilha aberta, que faz o carregador ver toda bateria como "fora de temperatura". (3) Estágio de saída (diodo/MOSFET) aberto: LED de standby acende porque a fonte auxiliar vive, mas não sai corrente. (4) Ventoinha travada nos modelos com ventilação forçada — o carregador entra em proteção térmica e fica em espera eterna. (5) Solda fria no conector entre a placa e o berço, típica de carregador que viveu vibrando dentro da caixa da caminhonete.
Guardei a bateria carregada e, quando fui usar duas semanas depois, estava vazia.
(1) Micro-curto interno em uma célula — é a suspeita número um quando, ao abrir e medir, apenas um grupo está muito abaixo dos outros depois de repouso. Marque as tensões, deixe o pack parado 48h e meça de novo: o grupo que cai sozinho está condenado. (2) Consumo parasita da placa (indicador de nível travado acionado, botão de membrana preso ou molhado, mantendo o circuito ativo). (3) Sujeira condutiva ou umidade entre os terminais criando fuga — comum em pack de obra, com pó de gesso úmido. (4) Hábito de guardar o pack já vazio, o que empurra as células fracas para descarga profunda. Referência para não condenar à toa: perder alguns por cento por mês é normal em lítio; perder tudo em duas semanas não é.
As luzinhas do indicador de carga não acendem, ou mostram cheia com a bateria vazia.
(1) Botão de membrana rompido/afundado — o mais comum, o dedo suja e desgasta a membrana; o pack em si continua bom. (2) Placa do indicador com trilha corroída por umidade ou contato interno oxidado. (3) Emenda/flat interno rompido por vibração. (4) O indicador está certo e o pack é que está desbalanceado: ele lê a tensão do conjunto, e um grupo alto mascara um grupo caído — por isso indicador nunca substitui medição sob carga. Vale a conversa honesta: indicador quebrado, sozinho, em pack que trabalha bem, muitas vezes não compensa reparar — abre-se o pack e há risco maior que benefício.