Quando este modelo chega à nossa bancada, o roteiro é sempre o mesmo: identificar a causa antes de trocar qualquer peça. Boa parte dos equipamentos que recebemos já passou por conserto improvisado, onde se substituiu o conjunto errado e o defeito voltou em semanas.
O terminal da bateria (ou da ferramenta) está derretido, com marca preta de queimado.
(1) Mau contato somado a alta corrente = arco elétrico. Onde há folga, cada solavanco abre e fecha o circuito com dezenas de ampères passando e o arco funde o latão e o plástico ao redor. Origem, em ordem: molas do terminal da ferramenta arriadas; trava do pack quebrada deixando folga; sujeira metálica/pó de esmerilhadeira entre contatos; adaptador de marca diferente. (2) Ferramenta de altíssima demanda (esmerilhadeira, serra circular, martelete) usada com pack pequeno, forçando corrente contínua no limite. Ponto crítico do orçamento: terminal derretido do lado da bateria E do lado da ferramenta é comum — trocar só um lado, com o outro deformado, queima de novo em poucos dias. Se o plástico ao redor do terminal derreteu e perdeu a geometria, a peça é a carcaça inteira, não o contato.
Comprei uma bateria paralela na internet: o carregador original não reconhece, ou ela rende metade do que diz na etiqueta.
(1) Pack sem termistor NTC ou com resistor fixo no lugar dele — o carregador original lê valor inválido e recusa; é o motivo nº1 de "paralela que não carrega no carregador de fábrica". (2) Célula de baixa qualidade/reaproveitada: a etiqueta diz 6,0Ah, o teste de descarga mostra bem menos; medir capacidade real é o único jeito de provar. (3) BMS simplificado, sem balanceamento e sem proteção de corrente confiável — a bateria funciona no começo e desbalanceia em poucas semanas. (4) Encaixe fora de medida, que gera folga e arco. Risco real, não conversa de vendedor: pack sem proteção adequada pode entregar corrente demais e cozinhar a eletrônica da ferramenta, e aí o prejuízo passa muito do preço da bateria original.
Pegou chuva / caiu água / lavei a ferramenta e depois disso a bateria parou.
(1) Corrosão dos contatos e do trilho — verde-azulado visível, resistência alta; nesse estágio limpeza e proteção resolvem. (2) Água que entrou pela fresta e alcançou a placa: a falha típica é progressiva — funciona por alguns dias e vai piorando à medida que a trilha é comida, até abrir. (3) Solda das fitas de níquel corroída. (4) Curto de fuga entre trilhas, que descarrega o pack sozinho. Regra prática: pack molhado precisa ser aberto e seco o quanto antes; esperar "secar sozinho" transforma uma limpeza em troca de placa. Distinguir de defeito de célula: aqui o histórico entrega, e a corrosão é visível a olho nu.
A carga demora muito mais que antes, e o carregador esquenta e fica pausando.
(1) Ventilação: carregador com entrada de ar entupida de pó de obra, ou ventoinha (nos modelos com ventilação forçada) travada/ruidosa — o carregador reduz a corrente ou entra em pausa térmica repetida. (2) Carregador em local errado: em cima de bagunça, dentro da caixa fechada, no sol do canteiro. (3) Pack entrando quente na carga, o que dispara pausa térmica logo no início. (4) Uso de carregador de corrente baixa em pack grande — carregador simples com pack de alta capacidade demora várias vezes mais, e isso é característica, não defeito. (5) Estágio de saída degradado (capacitor secundário seco), aí a corrente cai de verdade — se compara com outro carregador do mesmo modelo e o tempo é muito diferente, é ele.
A bateria caiu do andaime/escada e agora não dá sinal nenhum, 0V nos terminais.
(1) Circuito aberto, quase sempre: fita de níquel arrancada da solda por inércia das células, ou fusível interno da placa rompido. Zero volt absoluto raramente é célula descarregada — célula descarregada ainda mostra alguma tensão; 0,00V é abertura. (2) Trinca na placa do BMS, com trilha partida. (3) Célula com terminal deformado/perfurado pelo impacto — nesse caso o pack é condenado, mesmo que "volte" depois de uma solda. (4) Carcaça trincada deslocando o bloco de células. Conduta: abre, inspeciona, mede grupo a grupo; se as células estão íntegras e balanceadas, é reparo de solda/placa e vale muito a pena; se houve deformação mecânica em célula, não se remenda.
Pack grande (alta capacidade / FlexVolt / ProCORE) que carrega bem, mas na ferramenta de 60V não funciona, só nas de 18/20V.
(1) Nos packs que comutam tensão, a mudança é feita por contatos adicionais no trilho, acionados pela própria ferramenta ao encaixar — contato adicional sujo, entortado ou com mola arriada faz o pack não comutar e só operar no modo de tensão baixa. Limpeza e reassentamento resolvem boa parte. (2) Trilho da ferramenta de tensão alta com contato deformado. (3) Grupo de células caído em uma das seções — no modo de tensão alta todas as células ficam em série e uma seção fraca derruba tudo, enquanto no modo baixo as seções trabalham em paralelo e mascaram o defeito. Esse é justamente o caso em que o cliente jura que "a bateria está boa porque na parafusadeira funciona". (4) BMS com falha na chave de comutação.