O que mais chega à bancada em secadores de ar de linha industrial,
com a causa provável de cada sintoma. Não encontrou o seu caso? Avaliamos qualquer defeito.
"O secador está ligado, o painel acende, mas continua saindo água na ponta da mangueira / na pistola de pintura"
Este é o chamado nº 1 do setor e quase nunca é falta de gás. Sequência de eliminação, na ordem em que o defeito realmente aparece na bancada: (1) BYPASS ABERTO — praticamente toda instalação tem três válvulas (entrada, saída e desvio); alguém abriu o desvio numa manutenção e nunca fechou, então o ar passa por fora do secador e a máquina fica lá, gelando ar nenhum. Antes de abrir qualquer painel, siga a tubulação com a mão: se o tubo de bypass está com a mesma temperatura do de entrada e há fluxo, achou. (2) PURGADOR NÃO ESTÁ DRENANDO — o secador condensa a água certinho, o separador enche, e a partir daí o próprio ar quente que entra reevapora aquela água e leva embora em forma de vapor; para o cliente parece que 'o secador não seca', mas ele está secando e devolvendo. Teste: acione o botão TEST do purgador com a linha pressurizada — tem que sair um jato de água suja com estalo forte. Saiu só ar seco? Ou o purgador está drenando bem (e o defeito é outro) ou já drenou tudo; saiu nada, achou o problema. (3) AR DE ENTRADA QUENTE DEMAIS — catálogo é medido em condição nominal (tipicamente entrada 35 °C, ambiente 25 °C, 7 bar); compressor de pistão descarregando direto no secador entrega ar a 60, 80 °C, e a capacidade real despenca. Toque o tubo de entrada: se não dá para segurar a mão, o secador está sendo cozido e nenhuma peça vai resolver — falta resfriador posterior e/ou reservatório entre o compressor e o secador. (4) VAZÃO ACIMA DA CAPACIDADE — comprou secador pelo 'cv' do compressor em vez do pcm real, ou a fábrica cresceu e ninguém recalculou; sintoma característico: seca bem de manhã e passa água no pico da produção. (5) CONDENSADOR SUJO / SALA SEM VENTILAÇÃO — alta pressão sobe, o gás não consegue evaporar frio e o ponto de orvalho sobe junto; o manômetro de ponto de orvalho (aquele com faixa verde) sai da faixa para cima. (6) TUBULAÇÃO ERRADA DEPOIS DO SECADOR — ar sai a 3 °C de orvalho e não deveria mais condensar, mas se a linha corre por área externa, ao sol, num tubo que esfria à noite e ainda tem tomadas por baixo do barrilete em vez de pescoço de ganso, a água que já estava lá dentro da rede continua saindo por meses; isso é resíduo histórico da rede, não defeito do secador. (7) SÓ AÍ: falta de gás/vazamento (ver defeito específico). A diferenciação que mais economiza peça: mede-se a temperatura do tubo de saída do secador — se ele sai mais frio que o ambiente e mesmo assim vem água, é purgador/arrraste; se ele sai quase na temperatura de entrada, o circuito frigorífico não está trabalhando.
moderado Compressor hermético do secador não parte: dá um estalo, zumbe alguns segundos e desarma o protetor térmico (ou o disjuntor)
É o defeito 'grave' clássico e exige medir antes de comprar peça. Ordem: (1) CAPACITOR DE PARTIDA/PERMANENTE ressecado ou estufado — em Brasília, calor de sala fechada mais surto de rede detona capacitor com frequência; medir com capacímetro e comparar com o valor gravado no corpo, nunca 'no olho'; (2) RELÉ DE PARTIDA / PTC queimado ou com contato colado; (3) ALTA PRESSÃO por condensador cego de poeira ou ventilador parado — o compressor tenta partir contra pressão alta e não vence; sintoma que diferencia: parte frio de manhã e só falha depois de aquecido; (4) PROTETOR TÉRMICO externo fadigado (abre cedo demais) — engana bem, porque o motor está bom; (5) queda de tensão na instalação, extensão improvisada, fase caindo em máquina trifásica — meça a tensão COM o compressor tentando partir, não em repouso; (6) só depois de tudo isso: motor com enrolamento em curto ou rotor travado (teste de resistência entre terminais C-S-R e isolação para a carcaça). Alerta importante: se o hermético queimou de verdade, o circuito fica contaminado com ácido — trocar o compressor sem lavar o circuito e sem substituir o filtro secador é garantia de queimar o segundo em poucos meses. E é exatamente aqui que muitos secadores pequenos deixam de compensar conserto (ver FAQ).
grave Secador desarma sozinho depois de algumas horas, esquenta muito e o ventilador do condensador não gira (ou gira devagar)
Cadeia de causa-efeito típica: (1) CONDENSADOR ENTUPIDO — poeira, serragem, cotão e névoa de óleo formam uma manta entre as aletas; a máquina não consegue rejeitar calor, a alta pressão sobe, o pressostato de alta desarma e, de quebra, o ponto de orvalho sobe antes de desarmar (por isso muitas vezes o cliente reclama de água ANTES de reclamar de parada); em Brasília, na seca com poeira vermelha, isso vira serviço trimestral, não anual; (2) VENTILADOR travado/queimado — bucha seca, hélice encostando, capacitor do motor do ventilador aberto; (3) PRESSOSTATO DO VENTILADOR (nas máquinas em que o ventilador é comandado por pressão) com contato queimado ou fora de ajuste — o ventilador simplesmente nunca liga; (4) sala sem ventilação ou secador encostado na parede/atrás do compressor recebendo ar quente da descarga alheia — o equipamento está bom, o ambiente é que está errado; regra prática de instalação: ar de resfriamento entrando frio, saída livre, distância mínima recomendada pelo manual da parede; (5) pressostato de alta com defeito próprio (desarma com pressão normal) — só se conclui medindo com manifold. Diferenciar de desarme elétrico: desarme por alta pressão volta sozinho depois que esfria e é repetitivo no horário mais quente do dia; desarme térmico do motor tem o mesmo padrão; desarme de disjuntor da instalação normalmente é imediato e não depende do calor.
moderado Secador liga, compressor de refrigeração roda, mas nada gela: manômetro de ponto de orvalho fora da faixa verde e evaporador na temperatura ambiente
Agora sim a suspeita legítima de circuito frigorífico, e a ordem é: (1) FALTA DE CARGA POR VAZAMENTO — o gás não some sozinho; procure o furo antes de completar carga, porque completar sem achar é jogar dinheiro fora. Pontos onde furam de verdade: solda de tubo que vibra contra chassi ou contra outro tubo (marca de atrito brilhante entrega), válvula Schrader com núcleo vazando, e o pior de todos, EVAPORADOR CORROÍDO POR DENTRO/POR FORA pelo condensado ácido — o condensado de máquina lubrificada é tipicamente ácido (faixa de pH 4 a 6) e come alumínio e cobre ao longo dos anos, sobretudo se o purgador falha e a água fica parada ali dentro; (2) capilar/filtro secador obstruído — sintoma característico: um trecho do capilar ou a saída do filtro fica gelado com formação de suor localizado, e o resto da máquina morna; (3) válvula de bypass de gás quente travada ABERTA — injeta gás quente permanentemente e o evaporador nunca gela (é o espelho exato do defeito de congelamento); (4) compressor hermético rodando 'em vazio' por válvula interna quebrada — roda, faz barulho, não bombeia; confirma-se medindo pressão de alta e baixa quase iguais; (5) ruído de borbulho/gorgolejo contínuo na linha é indicativo clássico de carga baixa. Nunca conclua 'falta gás' pelo tato: exige manifold, leitura de sucção e descarga e correlação com a temperatura ambiente do dia.
grave Óleo passando mesmo com filtro coalescente instalado: teste do papel branco na saída dá mancha, pintura crateja, ventosa e válvula pneumática grudam
O coalescente é acusado injustamente na maioria das vezes. Ordem real: (1) ELEMENTO ERRADO OU VENCIDO — filtro de partículas (grau grosso) não retém aerossol de óleo; e coalescente saturado não 'filtra menos', ele deixa passar em massa quando colapsa; verifique se o grau instalado é mesmo o de alta eficiência e há quanto tempo está lá; (2) ELEMENTO MONTADO AO CONTRÁRIO — coalescente trabalha de dentro para fora (o óleo coalesce na fibra e escorre para o copo); montado invertido, ou com a vedação mal assentada, o ar faz caminho preferencial e sai sujo; (3) DRENO DO COPO ENTUPIDO — o copo enche, o nível encobre a manta e o próprio fluxo de ar rearrasta o óleo já coletado; é a causa mais boba e mais comum de 'filtro novo já passando óleo'; (4) LEVADA DE ÓLEO EXCESSIVA NA ORIGEM — compressor de pistão com anel gasto ou nível de óleo alto demais, ou parafuso com elemento separador ar/óleo vencido/retorno (scavenge) entupido; nesse caso o coalescente afoga em dias, e trocar elemento sem resolver a origem é assinatura mensal de prejuízo; (5) VAPOR DE ÓLEO, não aerossol — coalescente NÃO retém óleo em fase vapor; se a mancha é fina, com cheiro, e o coalescente está novo, o que falta é filtro de CARVÃO ATIVADO depois dele (e carvão precisa obrigatoriamente de coalescente antes, senão satura em semanas); (6) ar entrando líquido no coalescente — slug de água/óleo vindo do reservatório mata o elemento na hora; por isso a ordem correta é separador/pré-filtro antes, secador, e o coalescente de alta eficiência depois do secador. Teste de bancada que fecha o diagnóstico: papel branco a 20 cm da saída por 15 segundos com fluxo — mancha oleosa amarela = aerossol/óleo líquido; papel limpo mas cheiro forte = vapor, caso de carvão.
moderado Copo (bowl) do filtro trincado, esbranquiçado ou estourado; vazamento na rosca do copo
Questão de SEGURANÇA, não só de vedação — copo de policarbonato estourando sob 8 bar é acidente grave. Causas em ordem: (1) LIMPEZA COM SOLVENTE — thinner, acetona, querosene e até certos detergentes desengraxantes atacam o policarbonato e provocam microfissuras (o copo fica leitoso, 'craquelado'); é a causa nº 1 e é sempre erro de procedimento: copo se lava com água e sabão neutro, nada mais; (2) contato com vapores de solvente no próprio ambiente da cabine de pintura — o mesmo ataque, sem ninguém encostar nele; a solução definitiva é copo metálico com visor, obrigatório em ambiente com solvente; (3) o-ring/anel de vedação ressecado e achatado — vazamento em regime, some quando despressuriza, o que confunde; (4) pancada mecânica (carrinho, mangueira chicoteando); (5) sobrepressão acima da máxima do copo, comum quando o filtro de oficina é reaproveitado numa linha de pressão maior. Regra de bancada: copo leitoso ou com qualquer trinca capilar não se recupera nem se 'reforça' — troca imediata, e nunca se pressuriza filtro sem a proteção/guarda quando o fabricante prevê uma.
grave