O que mais chega à bancada em compressores de parafuso de linha industrial,
com a causa provável de cada sintoma. Não encontrou o seu caso? Avaliamos qualquer defeito.
Está saindo óleo junto com o ar - a peça pintada mancha, o filtro de linha enche de óleo, o pano no ponto de uso fica sujo
Primeiro descarte o mais bobo e mais comum: nível de óleo acima do máximo. Máquina que acabou de tomar manutenção e voltou passando óleo é quase sempre isso - encheram até a boca do visor. Confira com a máquina parada, despressurizada e fria; o nível se lê no meio do visor, nunca cheio. Segundo, a linha de retorno (scavenge) - aquele tubinho fino que puxa o óleo do fundo do elemento separador de volta para a unidade compressora. Ela tem um orifício calibrado e uma telinha que entopem com borra de óleo degradado. Se entupiu, o óleo empoça dentro do separador e é arrastado para a linha. Teste simples: com a máquina em carga, esse tubo tem que estar morno/quente com o óleo passando; frio, está entupido. Terceiro, elemento separador saturado ou rompido - saturado é gradual e vem junto com aumento de consumo de energia e alta pressão interna; rompido é abrupto, joga óleo direto na linha e normalmente aparece depois de partidas frequentes com o reservatório pressurizado ou depois de instalar separador paralelo de má qualidade. Quarto, óleo errado ou vencido: óleo mineral comum ou de motor faz espuma, e óleo espumado atravessa qualquer separador. Quinto, válvula de pressão mínima travada aberta - ela é quem segura pressão interna (abre na faixa dos 4 bar, varia por modelo); travada aberta, a velocidade do ar dentro do separador na partida é tão alta que o elemento não separa nada e ainda pode rasgar. Só depois disso se investiga retentor do eixo.
moderado Óleo com aparência de leite/café com leite, espuma no visor, ou consumo de óleo alto sem vazamento aparente
Óleo emulsionado é água condensada dentro do cárter. Causa número um: máquina trabalhando fria - pouco carregada, ligando e desligando o dia inteiro, ou instalada em sala fria/muito úmida. O parafuso PRECISA aquecer para evaporar o condensado; máquina de 50 cv atendendo consumo de 10 cv vive fria e emulsiona o óleo em semanas. Causa dois: válvula termostática travada aberta, mandando óleo para o radiador cedo demais e mantendo a temperatura de trabalho abaixo do ideal. Causa três: óleo vencido por tempo (não por hora) - máquina de reserva, alugada e parada, ou sazonal, oxida o óleo mesmo sem rodar. Causa quatro: mistura de óleos incompatíveis (mineral com sintético, ou marca diferente completada 'só para não faltar') - dá borra e espuma. Óleo emulsionado não lubrifica: se rodar assim, o próximo item da lista é rolamento de unidade compressora.
moderado Válvula de segurança abrindo / a máquina passa da pressão e 'estoura' o alívio
Nunca amarre, tampe ou aperte a mola da válvula de segurança - ela está abrindo porque algo antes dela falhou. Ordem: 1) transdutor/pressostato descalibrado ou com a tomada de pressão entupida por borra, lendo pressão menor do que a real, então o controlador nunca manda aliviar. 2) Setpoint alterado indevidamente no controlador. 3) Válvula de admissão travada aberta - não fecha no alívio e a máquina continua comprimindo. 4) Solenoide de alívio sem sinal ou entupida. 5) Válvula de pressão mínima travada fechada, segurando pressão dentro do reservatório de óleo. 6) A própria válvula de segurança fraca/vencida, abrindo abaixo do valor - essa é a última hipótese e se confirma com bancada de teste. Enquanto não resolver, a máquina está trabalhando acima do projeto: mais corrente, mais calor e risco no vaso.
grave Vibração forte, a carenagem chacoalha e parafusos da base se soltam sozinhos
1) Elemento elástico do acoplamento (garras/estrela) desgastado ou já dilacerado - inspeção visual resolve, e trocar barato hoje evita quebrar eixo amanhã. 2) Alinhamento motor/unidade fora de tolerância após alguém ter trocado motor ou acoplamento sem relógio comparador. 3) Máquina sem calço/coxim, apoiada em piso irregular ou sobre reservatório sem amortecedor. 4) Ventilador desbalanceado ou com hélice trincada/suja de graxa e poeira. 5) Correias com tensão desigual ou polias fora de plano (linha acionada por correia). 6) Rolamento em falência - aí a vibração vem acompanhada de ruído e de temperatura pontual alta na carcaça, medida com infravermelho. Vibração de compressor nunca é 'normal da máquina': parafuso bem montado é liso.
moderado Máquina de velocidade variável (linha VSD/Flex) desarmando por falha do inversor ou oscilando rotação
1) Painel elétrico sujo - os filtros de ventilação do quadro entopem com poeira e o inversor desarma por sobretemperatura, geralmente à tarde e depois de horas rodando. É a causa número um e é limpeza, não peça. 2) Rede elétrica: afundamento de tensão, harmônicas de outros equipamentos, aterramento ruim. Registre a tensão nas três fases ao longo do dia antes de condenar o inversor. 3) Parâmetro de rampa/PID mal ajustado ou transdutor de pressão oscilando, o que faz a máquina 'caçar' rotação. 4) Ventilador do dissipador do inversor parado. 5) Cabo de motor com isolação comprometida (megôhmetro resolve a dúvida). Inversor é peça cara: só se condena depois de descartar ventilação, alimentação e parametrização - e sempre com o código de falha registrado no display, não por 'achismo'.
grave Está esquentando demais / desarma por alta temperatura, normalmente depois de meia hora rodando ou nas horas mais quentes do dia
Antes de abrir qualquer coisa, olhe o radiador (trocador ar-óleo) contra a luz. Em Brasília, com poeira fina de cerrado e época de seca, o núcleo do radiador fecha em semanas em ambiente de marcenaria, serralheria ou beira de via não pavimentada. Limpeza é com ar comprimido no sentido contrário ao fluxo do ventilador, aletas por dentro - lavar só a face externa engana e não resolve. Segundo: sala de máquinas. Compressor de 30, 50, 100 cv joga muito calor; sem entrada de ar frio embaixo e exaustão em cima, a máquina recircula o próprio ar quente e nunca estabiliza. Sintoma clássico: máquina roda fria de manhã e desarma à tarde. Terceiro: nível de óleo baixo ou óleo degradado - óleo escuro, cheiro de queimado, viscosidade perdida não tira calor. Quarto: válvula termostática travada em by-pass, o óleo não passa pelo radiador. Diferencia fácil no tato/termômetro: se a máquina está quente mas a tubulação de entrada do radiador está fria, o óleo não está indo para lá - é a termostática, não o radiador. Quinto: filtro de óleo entupido em by-pass interno. Sexto: ventilador (motor ou hélice) parado ou girando ao contrário depois de mexer no painel. Só por último se suspeita do sensor de temperatura - e o jeito de confirmar é comparar a leitura do display com termômetro infravermelho na saída da unidade compressora. Raciocínio de bancada: compare com o histórico DA PRÓPRIA máquina, não com número de catálogo; subiu 10 a 15 graus em relação ao que ela sempre fez no mesmo horário e mesma carga, já tem defeito instalado mesmo sem alarme.
grave